Bestiário

POEMA DO GORAZ
Estava um goraz sentado
numa pedra, à tardinha.
O grande Oceano dourado,
como raposa na vinha.
Não será do seu agrado,
ter-me agora por vizinha
(já que mostra algum enfado)
— perguntou-lhe a tainha.
Mais vale dormir de lado,
que nadar como a sardinha
e na pedra estar sentado
que uma pedrada na pinha.
José Alberto Oliveira, Bestiário, Assirio & Alvim, Lisboa, 2004
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